segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O que é a Prisão?

“Dois homens olharam através das grades da prisão; Um viu a lama, o Outro as estrelas.”

A frase em que começo meu quinto post, é de um cara bastante conhecido entre os mais religiosos: Santo Agostinho.

O que você veria se estivesse numa prisão? Já se imaginou prezo? A prisão é algo que nos provoca sentimentos variados. Em alguns provoca medo, indignação, raiva, menosprezo. Já algumas pessoas sentem alívio, esperança, saudades, desejos de reencontro... Essa pequena palavra tem por traz um significado muito forte. Quando se fala em prisão pensa-se automaticamente em pessoas que estão pagando por crimes cometidos contra a sociedade. É uma “medida socioeducativa”, quando na realidade serve apenas para treinar indivíduos para praticar crimes de forma mais inteligente, sem serem pegos novamente. Sabemos hoje, que a maior escola do crime é as cadeias e prisões brasileiras. As pessoas ficam prezas, enclausuradas, muitas vezes em situação precária e desumana. Quando saem da prisão percebem que precisam resgatar sua dignidade, trabalhar e se autossustentar. Mas eu faço uma simples pergunta a você. Qual é a perspectiva que um ex-preso tem ao sair da cadeia? Onde esse cara vai trabalhar? Já que nós somos “bonzinhos” iremos levá-los para trabalhar em nossa casa.

Criticar é fácil, difícil é conseguir resolver o problema. Voltemos para a frase chave do texto: “Dois homens olharam através das grades da prisão; Um viu a lama, o Outro as estrelas.” O que viu a lama realmente irá continuar na lama, ele não consegue enxergar mais nada, já o outro ver as estrelas e quando sai da cadeia o que é que ele vê? Ele tem vontade de mudar, mas não encontra a oportunidade necessária. Isso é o que deveria nos deixar indignados. Por que esse é o ciclo sem fim do crime organizado no Brasil. A televisão nos mostra o tempo todo o que é ter padrão de beleza, o que é legal de se comprar, que é bom ter dinheiro, que é bom estar na mídia. Essas coisas frustram qualquer pessoa. Imagine uma pessoa sem base, sem formação, sem estrutura mental e sem pessoas equilibradas que o orientem para a vida... Eu sei, é claro, que isso não justifica ter que voltar ao erro, mas quantas vezes erramos pelas mesmas coisas? Somos teimosos mesmo quando nossos pais e nossos familiares nos orientam. Como você explica a anorexia? Só dá em filhos de pessoas de bom padrão social e cheias de instrução, por quê? E nem vou falar sobre a Depressão...

Vivemos presos dentro de nós mesmos, não precisamos estar necessariamente nunca cadeia precária pra estar preso. Estamos presos quando não conseguimos enxergar além das coisas que parecem óbvias. São justamente essas coisas que parecem óbvias que nos prendem, nos acorrentam e, nos impedem de sermos pessoas livres e nos fazem ser dependentes de outras pessoas. Somos tolos quando decidimos viver em função do amor de outra pessoa. Quando essa pessoa resolve ir embora ou morre, pronto! O mundo acaba.

Uma pessoa se torna livre quando ela enxerga que algo ruim pode ter algo bom. Bom para aprender coisas novas, bom para não repetir erros e bom para acertar nas próximas vezes. Tem gente que tem pavor de errar qualquer coisa que seja, até nas brincadeiras do “par ou impar” ela não joga com medo de perder. As pessoas querem ser “deus” o tempo todo e esquecem que são apenas serem humanos, que erram e acertam, que caem e levantam, que aprendem e desaprendem, que decepcionam e conquistam outras pessoas. Esquecem que a pessoa mais importante de nossa vida é agente mesmo, e que eu só posso me decepcionar comigo mesmo caso não vá atrás de meus sonhos.

Quando agente se ama, agente procura o que é bom para nós. Agente consegue analisar as pessoas do nosso convívio e saber se elas nos fazem bem, temos critérios próprios. Quando agente se ama aprende a ter paciência e espera por algo futuro porque sabe que quando se realizar, ficaremos felizes. Quando agente se ama não se entrega para uma pessoa qualquer porque sabe que depois pode vir a sofrer se essa pessoa nos deixar. Quando agente se ama procura ler coisas boas e se informar porque isso faz bem para o nosso cérebro e para nossa alma. Não adianta ter o corpo sarado e uma “cabeça de vento”, será igual uma máquina que realiza várias coisas, mas depende de outras pessoas para pensar. Quando agente se ama procura melhorar todos os dias mesmo que seja muito pouco para outras pessoas. Quando agente se ama elogia outras pessoas e reconhece nelas a importância devida, porque isso afasta o sentimento de inveja do nosso coração. E por fim, quando agente se ama consegue se colocar no lugar de outras pessoas e vê que se fosse com agente, com certeza, desejaríamos mais uma chance.

Não é preciso andar de avião para poder voar. Basta querer ver as estrelas e assim será.

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